"Todos os meus versos são um apaixonado desejo de ver claro mesmo nos labirintos da noite."
Eugénio de Andrade

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quinta-feira, 21 de junho de 2018

Sonhos perfeitos

Sonhos perfeitos

Na penumbra branda
Permanece solene o pranto
De prata paramentado
Presto, prendo os sonhos
À pérgula que no meu peito plantaste
Prestes a perderem-se de tão perfeitos
Retorna o canto que precede
A transmutação dos prados pardos
Pressinto o seu pulsar primordial
Subterrâneo e secreto
Meus passos ora entrelaçados
Perdem-se entre os pés das prímulas
E penetram a terra tenra e terna
Rompem dos pulsos ramos aéreos
Repouso sereno da conversa dos pássaros
Desprendem-se as pálpebras pesadas.
Do sonho privada, parto para o pesadelo
Assim é o preço dos sonhos perfeitos.



terça-feira, 31 de março de 2015

Calou-se a voz

Calou-se a voz
A voz que do seio da terra
Irrompia
Em golfadas transbordantes
 De silêncios

Calou-se a voz
A voz ora branda, ora brava,
Inquietante e lúcida
Nas noites brancas
Nas madrugadas insones
e translúcidas

Calou-se a voz
A voz que ressoava pelas brenhas
Escusas e obscuras
Onde só o eco a agarimava
No seu seio oblíquo e denso.

Calou-se a voz
A voz que mantinha
Meus saltos suspensos
Sobre os medos

Calou-se a voz
A voz de mãos doces
Que me sustinha
Nos sobressaltos da morte.